Resultados Obtidos do Grupo I
Quais as características deste animal?
Girafa - “Tem um pescoço grande e come erva das palmeiras.”
Macaco - “O macaco come mananas [bananas] e depois põe a sua cauda no ramo e depois upa para cima das pessoas.”
Formiga - “As formigas roubam comidas às pessoas.”
Papagaio - “Ele voa tanto tempo que pára até no ramo.” “Ele tem imensimas cores”, “Tem mais assas às cores e um olho e um bico.”
Hipopótamo - “Ele é muito gordo, tem a boca grande e tem dois olhos e vai para a água.”
Tigre - “Tem ricas pretas como a zebra.”
Zebra - “Elas comem erva do chão. São pretas e brancas. As riscas.”
Análise & Reflexão Crítica
Neste exercício a Maria demonstrou conseguir expressar tudo aquilo que conhecia de cada aniamal e assim como foi capaz de definir cada um deles sem problemas. Também não revelou dificuldades em fazer a distinção entre o desenho e o real. A maior dificuldade revelou-se apenas quando lhe perguntámos de que tamanho era a formiga, pois na figura ela ocupava uma folha A4 completa. Foi então que lhe pedimos que se recorda-se das formigas que já tinha visto em casa.
A nosso ver, esta actividade foi realizada pela criança com um relativo sucesso, na medida em que esta consegui exprimir-se correctamente a nível sintáctico na maioria das situações apresentadas, demonstrando maior dificuldade na produção correcta de enunciados que diziam respeito ao papagaio, pois este animal revelou-se bastante distante da sua realidade.
O conhecimento linguístico é o conhecimento inconsciênte/implícito que permite à criança usar a sua língua materna. Esta actividade, nomeadamente, implicava a produção de enunciados que permitisse à criança exercitar o seu conhecimento sintáctico, isto é, a forma como as palavras se organizam para formar frases.
Resolução de Problemas:
- Como é que a girafa consegue chegar ao topo das árvores e comer as folhas?
“Porque elas têm topo gigante e um pescoço direito.”
- Como é que os macacos conseguem saltar de árvore para árvore?
“Porque eles saltem muito alto e depois usem a calda para pendurarem.”
- Como é que será que os hipopótamos conseguem estar dentro água sem ir ao fundo?
“Porque eles são grandes e gordos, conseguem pôr a cabeça para cima do mar conseguem ver tudo e abrem a boca.”
- Os papagaios falam?
“Os papagaios não falam." (Depois de afirmarmos que vimos um falar, ela respondeu o seguinte:)
"Eles falam porque o boneco de papagaio fala, e carrega no botão.”
- As zebras conseguem mudar de cor?
“Não, porque a zebras ficam na sua cor mesmas. A zebra só corre e come erva.”
Análise e Reflexão:
Nesta fase da actividade, experimentámos complexificar um pouco o jogo, no sentido de propôr à criança a resoluçao de alguns problemas. O nosso objectivo era que esta utiliza-se da sua critividade para encontrar soluções lógicas para os mesmos. A realização desta tarefa permitiu-nos saber que a criança consegue não somente encontrar soluções para os problemas de uma forma lógica e simples, como também demonstra alguma mestria da língua no sentido em que consegue expôr e explicar o porquê e a lógica do seu raciocínio.
Compreendemos deste modo que a criança, quando confrontada com novas situações e desafios consegue, de uma forma lógica, exprimir-se produzindo enunciados cada vez mais complexos à medida que o seu raciocínio avança. Porém, é visível que nestas circunstâncias a qualidade linguística das suas produções é limitada pois o seu pensamento está focalizado na resolução do problema e não na correcção linguística com que fala, embora em circunstâncias ideais, esta possívelmente seja capaz de fazê-lo de forma mais correcta sintácticamente.
É visível, até mesmo através do seus erros, que a criança já interiorizou regras e padrões da língua (Exemplo: “Porque eles saltem muito alto e depois usem a calda para pendurarem.” Nesta situação a Maria demonstra conhecer algumas regularidades da língua (conhecimento implícito/inconsciênte) pois ela concorda sempre no número (plural/plural) e apesar do tempo verbal não ser o mais adequado na situação ela demonstra que compreender que é necessário manter o mesmo tempo verbal no enunciado. (Exemplo: “Os papagaios não falam. Eles falam porque o boneco de papagaio fala, e carrega no botão.”)
Os jogos de resolução de problemas permitem à criança desenvolver o seu imaginário o qual é uma forma de superar lacunas de compreensão do real. Uma maior actividade criativa por parte da criança no que diz respeito à linguagem, permite-lhe utilizar todas as suas competências linguísticas no sentido de descobrir soluções e de explorar mundos "diferentes" e "distantes" do seu real.
