Instituição
A instituição no qual foi realizado o trabalho de terreno, Jardim-de-Infância Arco-Íris, é uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social) cuja função é dar expressão organizada ou dever moral de solidariedade. Esta não é administrada pelo Estado, mas apresenta-se como uma iniciativa de particulares sem fins lucrativos.
O Jardim-de-Infância Arco-Íris está localizado na cidade de Setúbal e dispõe de excelentes infra-estruturas, recentemente construídas, com espaços amplos que vão do recreio ao ar livre a um espaço polivalente de actividades. O ambiente e os materiais ao dispor atendem a critérios de funcionalidade, durabilidade, segurança e valor estético. A utilização ecológica dos materiais de desperdício é uma das preocupações que contribui para que o jardim-de-infância se enquadre no grupo das eco-escolas.
O tempo educativo tem uma distribuição flexível, embora corresponda a momentos que se repetem com uma certa periodicidade.
Horário do estabelecimento: de 2ª a 5ª das 7.30h-19.00h e 6ª das 7.30 – 17.15h
Tempo Lectivo: de 2ª a 6ª das 9.00h – 12.00h e das 14.00h – 16.00h
Esta periodicidade transmite à criança um sentimento de segurança e permite-lhes prever e organizar um tempo estruturado e flexível, em os diferentes momentos tenham sentido para as crianças. Serve também como uma base para a compreensão do tempo: passado, presente, futuro; contexto diário, semanal, mensal, anual.
Posto isto, compreendemos que a distribuição do tempo e a organização do espaço estão relacionadas, pois a utilização do tempo depende das experiências e oportunidades educativas que os espaços proporcionam. Portanto, tanto um como outro, constituem o suporto do desenvolvimento curricular.
Actualmente a instituição dispõe de três salas verticais, ou seja, em que as crianças têm idades compreendidas entre os 3 e os 5 anos, as quais pertencem à mesma valência. Cada sala dispõe de uma educadora e de uma auxiliar de acção educativa. As mesmas têm 28 crianças cada, à excepção da Sala Dos Patos, onde o nosso estudo foi realizado, que apenas tem 23 crianças, uma das quais tem necessidades educativas especiais. Para além dos recursos humanos referidos, também fazem parte da equipa a chefe auxiliar de acção educativa e mais duas auxiliares.
No início do nosso percurso pela instituição e em especial à medida que o trabalho de terreno foi sendo aprofundado, foi-se tornando cada vez mais compreensível o papel central que o contexto educativo ocupa nas aprendizagens que a criança vai adquirir, pois tanto os materiais existentes, como a forma como estão dispostos condicionam o que estas podem fazer e aprender.
Deste modo, a organização e a utilização do espaço expressam as intenções educativas e as dinâmicas de grupo, e a reflexão sobre os mesmos pode permitir uma adaptação progressiva dos espaços e materiais consoante as necessidades e evolução do grupo, de modo que este se apresente continuamente como um ambiente desafiador.
Neste contexto, observámos que tanto as salas como o pavilhão polivalente estavam organizados de modo a facilitar a comunicação verbal oral (espaços de convívio entre pares e reunião com adultos) e escrita (todos os materiais estavam rotulados e os livros estavam disponíveis a todas as criaças).
Em suma, a organização do ambiente educativo tem em conta o pressuposto que o desenvolvimento humano constitui um processo dinâmico de relações com o meio, em que o indivíduo é influenciado mas também influência o meio que o rodeia.
