Reflexão Crítica
A realização deste trabalho tornou possível compreender que tipo de dificuldades as crianças do pré-escolar apresentam ao nível do desenvolvimento da linguagem. O papel do educador é preponderante para a aquisição da linguagem pois cabe-lhe escutar, compreender e incentivar a criança a dialogar.
Através de actividades simples como a leitura de uma história, uma canção com rimas, lengalengas ou mesmo um simples diálogo é possível não somente entender em que etapa do desenvolvimento linguístico a criança se encontra, como também estimulá-la no sentido do domínio progressivo de novas competências de comunicativas.
Durante o registo dos actos de linguagem das crianças, constatámos que existiam algumas dificuldades. Deparámo-nos com substituições (uobo - lobo) reduções (tabalho - trabalho) deturpações (catro - quatro) más conjugações verbais (“porque eles gostem”) e repetições (“…e depois o lobo mau foi a casa da avó e depois apareceu o capuchinho vermelho e depois comeu”) entre outras. Estes “erros” são bastante comuns e poderão ser colmatados através de jogos lúdicos referentes ao desenvolvimento da linguagem.
As crianças de 4 e 5 anos estavam bem desenvolvidas a nível fonológico pois compreenderam muitas das palavras que utilizámos e estas, no seu discurso, tinham uma argumentação e articulação coerente das suas ideias. Estas crianças conseguiam fazer representações mentais de objectos e situações. Durante todo o tempo que estivemos na instituição, as crianças mostraram-se muito curiosas e motivadas. As educadoras também facilitaram bastante o nosso trabalho na medida em que se disponibilizaram para fornecerem toda a informação que necessária sobre a instituição.
Para nós, este trabalho foi uma forma de consolidar toda a parte teórica da UC "Aquisição e Desenvolvimento da Linguagem". Ao estarmos no terreno, conseguimos perceber a pertinência de todos os estudos feitos sobre a linguagem e a forma como esta se desenvolve.
Foi perceptível a consciência linguística e as capacidades relacionadas à mesma apenas se desenvolvem quando existe um domínio razoável da língua materna. Todavia, este desenvolvimento linguístico pode ser feito de forma espontânea e natural, já a consciência linguística requer um estímulo mais explícito.
Neste processo de desenvolvimento e aprendizagem privilegia-se a interacção do educador que, parte do que a criança sabe e das suas actividades expontâneas. Deste maneira o educador articula a sua abordagem de modo a que esta se integre num processo flexível de aprendizagem que corresponda às suas intenções e objectivos educativos e que tenha um sentido para a criança.
Tendo em conta o que observa da evolução do grupo e do desenvilvimento de cada criança, o educador apoia cada uma de forma a que atinja níveis a que não chegaria por si só.
